
A pastora Jacqueline Chanel é organizadora do ato em São Paulo. “Este é um protesto pela vida, porque nossas vidas importam, também para essa sociedade. Queremos mais direitos e políticas públicas para atender a nossa comunidade, de mulheres transexuais e homens trans”, afirma. Ela pontua que as ações do Poder Público devem ser transversais, na educação, na saúde, no emprego, na segurança pública, tendo em vista que essa população é impactada de diversas formas desde a infância.
“Passa por várias esferas da sociedade, não é só ‘eu me sinto de uma forma diferente’, mas, pra isso, eu tenho que ter saúde, hormonioterapia, o SUS [Sistema Único de Saúde] tem que cobrir cirurgia, e essa foi uma luta dos últimos anos”, enumera. Hailey acrescenta a conquista do uso do nome social em órgãos públicos e documentos. “Isso facilitou que a gente conseguisse emprego, a gente não é constrangido nos espaços que tem que dar o nome e o RG, em que pese ainda a gente ter que ir em cada órgão fazer a alteração.”
Pedro Silvério, 28 anos, é voluntário do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades e ajuda outras pessoas trans. “Eu encontrei um amigo na rua, que me disse que era homens trans e, no mesmo momento, eu percebi que era aquilo. Fui atrás, pesquisei. Estar num ato como hoje é mágico, chegar aqui e se sentir em casa. Os nossos corpos são invisibilizados”, conta. Para ele, a saúde mental é um aspecto fundamental na abordagem de saúde para essa população. “A gente sofre muita violência. Muito importante esse reforço, tanto no SUS, como nas instituições privadas.”